Contada por Paulo

A idéia de homenagear Joinville deu origem ao nome do Grupo Escoteiro.

Dr. Nilson Wilson Bender, então Prefeito de Joinville, apoiou a fundação de um Grupo Escoteiro, sob os auspícios da Prefeitura Municipal de Joinville, por sugestão do fundador do Grupo, Chefe Paulo dos Reis. Tudo o que era necessário em termos de material para o grupo era comprado com requisição da Prefeitura, mediante assinatura do chefe do Grupo.

Um folheto de promoção, patrocinado pela Indústria de Refrigeração Cônsul dizia na capa "Seja Você também um Príncipe" e no interior dava as informações para inscrição dos candidatos a escoteiros.

A sede foi montada nas dependências da Prefeitura, com tapetes e cortinas brancas de renda até o chão. Uma sede digna de "Príncipes".

O Grupo foi oficialmente fundado na semana da Pátria em setembro de 1967. A cerimônia constava das atividades da Semana da Pátria, de modo que todas as autoridades locais estiveram presentes.

A chefia era composta de 5 pessoas, a maior chefia em um grupo, só com tropa de escoteiros na época.

O orador oficial foi o Chefe Rui Olímpio de Oliveira, hoje Procurador do Estado e até então Promotor Público em Rio do Sul, o Chefe do Grupo Escoteiro naquela cidade.

Antes da promessa, a preparação do pessoal foi feita rigorosamente dentro dos padrões da Insígnia da Madeira. Na época, o fundador do Grupo, Professor Paulo dos Reis, era o único possuidor da Insígnia da Madeira no Paraná e Santa Catarina.

Foi o primeiro Grupo no Estado a preparar os noviços, rigorosamente dentro do sistema de Patrulhas, usando como instrutores somente os monitores previamente preparados pela Chefia. O sucesso foi total, embora alguns Chefes não acreditassem no modelo usado. Achavam que se fossem eles a ensinar o treinamento seria melhor.

O treinamento em boas maneiras, educação social, etc, era levado a sério.

Esse fato impressionava os chefes em acampamentos regionais e outras atividades, que observando o alto nível de educação dos escoteiros, perguntavam se os "Príncipes" eram escolhidos a dedo. Não o eram. Todos os que desejavam podiam entrar no grupo. Tivemos até uma patrulha de engraxates.

A tradição do Grupo era vencer ou vencer.

Traziam a maioria dos troféus ofertados aos vencedores nos acampamentos.

Em certas atividades no Rio Grande do Sul, dos 15 troféus oferecidos, ganharam 14. Só perderam o jogo de acertar latas com Steling (Chiloidas), alegando que este esporte era de "plebeu" e não de "Príncipes".

Ao chegarem a qualquer atividade Regional ou Nacional, as patrulhas se preocupavam dizendo "chegaram os Príncipes"; "vão ganhar todos os jogos do acampamento".

Em uma oportunidade, em Lages o Chefe do Sub-Campo deu primeiro lugar de honra a uma Patrulha do Príncipe, alegando que não precisava fazer inspeção na Patrulha, pois não se achava nada sujo, fora do lugar ou errado.

O Príncipe participava de todas as atividades Regionais ou Nacionais. Tudo pago pela Prefeitura Municipal de Joinville. O material de campo era o melhor da ocasião e nada faltava.

Com o fechamento do Grupo de Bandeirantes, todo o material de campo e de instrução das Bandeirantes foi doado ao Grupo Príncipe de Joinville. Era o grupo mais rico em material. Por falar em rico, quando a Região mudou-se de Florianópolis para Joinville, o Grupo Príncipe financiava todas as atividades Regionais, inclusive pagando as despesas dos chefes participantes.

 


Paulo dos Reis
25/02/92


Grupo Escoteiro Príncipe de Joinville - 04/SC